Ação solidária: Projeto Futuro Guerreiro, uma história de generosidade

Um espaço simples e acolhedor. Em uma das casas localizadas no interior do Lar Batista, em Várzea das Moças, Niterói, na Região Metropolitana do Rio, um grupo de 19 alunos e 4 mestres, entre professores e instrutores, se concentram para iniciar mais uma aula de Jiu-jitsu. Antes das atividades, palavras motivacionais de cidadania, lição, ética e inspiração são proferidas, servindo como reflexão às crianças e jovens ali presentes, como uma ideologia correta a ser seguida e partilhada.

No olhar dos mestres, sinal de esperança e perseverança como meio de transmissão aos atletas do projeto de que a vida é árdua, porém, compensadora. Uma maneira de evidenciar que toda glória é a consequência do que foi produzido com muito empenho e dedicação.

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Após o ensinamento e oração realizada pelos professores, os alunos começam os aquecimentos para o treino do dia. Muitos dos que estiveram presentes sequer têm a oportunidade e privilégio de se alimentar de acordo com os anseios, por mais simples que sejam.

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Mestre-Cirval

Com a iniciativa do Projeto Futuro Guerreiro, os mestres pretendem formar grandes campeões e cidadãos de bem. Ministrada por Walter, Suelen, Wander, conhecido como Maguila, e o faixa vermelha, Cirval Justino, de 65 anos, o trabalho social, realizado desde o fim de 2012, atende 120 alunos, sendo 70 no núcleo de Guaxindiba, São Gonçalo, e 50, no Lar Batista, em Várzea.

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Em meio à precisão e empenho durante os golpes, crianças e jovens, de 6 a 18 anos, aplicam técnicas e desenvolvem métodos eficazes como forma de autodefesa e proteção. O mestre, Walter, faixa preta de Jiu-jitsu, Campeão Brasileiro da modalidade em 2013, enfatiza e faz uma ligação de toda a noção que a luta atribui aos alunos com o caminho que a vida prega, a importância de escolhas corretas e de viver honestamente. As mensagens aparentam serem absorvidas, apreendidas e colocadas em prática por todos, o que torna visível o ímpeto de vitória e conquista de cada um.

Mestre-Cirval-01  Troféus

O Mestre Cirval, por sua vez, possui centenas de títulos no esporte e demonstra uma energia desmedida. Campeão Brasileiro Interclubes de 2005, em Ipatinga, Minas Gerais, quando tinha 56 anos, se sentiu motivado ao ver lutadores da sua faixa etária competindo e voltou, depois de certo tempo, a disputar competições. Antes, estava destinado apenas ao ensinamento da luta.

Entre os alunos destaques do projeto, destacam-se: Willian Sherman, Campeão Mundial CEFAN, Brasileiro Interclubes e 3° colocado no Pan de Jiu-Jitsu, e Kléber de Paula, Campeão Gonçalense e Campeão no Pan de Jiu-Jitsu.

Dos 50 alunos que integram o Futuro Guerreiro, em Várzea, 17 são faixas azuis ou amarelas, e 33 faixas brancas. O projeto acolhe alunos das comunidades locais, como a Linha e Buraco Quente, alguns com casos bastante sofridos.

 O esporte como superação à realidade doméstica

Renata Godoi, de 18 anos, faixa branca e aluna do projeto há 2 meses, representa um dos exemplos em que o esporte serve como impulso e forma de aprendizado, contrapondo o certo do errado e sabendo divergir entre o benéfico e o prejudicial.

Moradora da comunidade da Linha, ela demonstra a insatisfação em relação aos estereótipos formados pela sociedade, no qual os moradores locais são pré-julgados como se todos fossem iguais e fizessem as mesmas coisas.

Sua relação com o Jiu-jitsu serviu como uma salvação que precisava para se afastar de alguns males que circundavam a realidade que vivia, além de se aproximar da luta, sua grande paixão:

“Todo mundo que está aqui lutando gosta muito do que faz. Na minha vida, o esporte mudou muito porque sempre gostei muito de luta”, conta.

Com casos de mortes na própria família devido à criminalidade, ela, que foi convidada e apresentada ao projeto através de conhecidos, motivou o irmão, primos e amigos a também aderir e abraçar o esporte. Em virtude da curta carreira, Renata ainda não possui medalhas, nem títulos, mas pretende competir e se tornar uma atleta bem sucedida.

Estrutura familiar abalada fez jovem conhecer o projeto

Outro Futuro Guerreiro que busca um incentivo e exemplos de bem é o jovem atleta, Marlon Mateus, de 14 anos, que está no projeto há 1 ano e meio. Com uma vida marcada por tragédias, ele percebeu que o esporte seria uma forma de reverter situações desfavoráveis que encontrava em casa.

Mineiro, ele veio morar no Rio aos 7 anos, com a mãe e irmã. Convivendo desde bem pequeno com a violência familiar, viu, inúmeras vezes, o pai agredir a mãe. Ele era traficante e, em certo dia, a polícia invadiu a casa em que moravam para prendê-lo. Também testemunhou a casa ser consumida por chamas, ainda quando morava em Minas, sendo o fator determinante para a mudança de estado.

Sua mãe, vítima do alcoolismo, passou a sofrer com um novo companheiro com constantes agressões. Ela faleceu vítima de AVC, e o marido, que fora esfaqueado pela filha, a irmã de Marlon, desapareceu.

No entanto, apesar de tamanhos percalços, o tempo lhe destinou coisas boas. Ele encontrou um irmão biológico que sequer conhecia e, junto à irmã, passaram a morar juntos. O esporte, nesse caso, tem ajudado a fortalecer os laços familiares e a pregar amor e união entre eles.

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Música Cantor Allan Metéllo.